Cláudio Fernandes


Natural de Umuarama/PR, iniciei os estudos de violão acompanhando grupo vocal em comunidade cristã por dez anos. O estudo formal de música - violão erudito - veio um pouco mais tarde na Escola de Música Sonata em Curitiba, isso já na adolescência. O primeiro contato com a Música Popular Brasileira (MPB) ocorreu no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba no Ensino Médio. Havia uma Banda Musical recrutando novos integrantes, matriculei-me para tocar saxofone entretanto o maestro colocou-me para tocar tuba. A banda já tinha instrumentistas hábeis tocando saxofone, entretanto tinha uma tuba parada precisando de alguém para tocá-la. Estudei o instrumento por algum tempo, porém, por falta de adaptação desisti. No início dos anos de 1990 tive uma breve passagem de dois anos estudando piano popular, curso ofertado na Escola de Artes do próprio Colégio Estadual do Paraná, o que possibilitou contato maior com a leitura musical e a descoberta dos Songbooks (série de livros lançado por Almir Chediak com melodia e cifra que privilegia compositores da música brasileira, editado pela Lumiar). Nessa mesma década ingressei no curso intermediário de violão erudito com duração de oito anos na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e, acabei concluindo quase três anos tendo que desistir por sofrer acidente de moto e por consequência quebrando quatro dedos da mão esquerda. Toda essa trajetória me fez de uma vez por todas entender e pesquisar a música brasileira. A vivência inicial no Choro foi com o mestre Maurício Carrilho, violonista carioca, pesquisador e arranjador do Gênero. O objetivo era aprender “levadas” que compõem o universo do Choro bem como o contexto harmônico e histórico. Posteriormente, a relação foi sendo estabelecida através de cursos livres, palestras, seminários e Oficinas de Música de Curitiba. Os primeiros aprendizados foram difíceis. O pensamento era o de que o Choro se resumisse apenas em acompanhar melodias. O vínculo estabelecido com o Gênero converteu-se em uma paixão e, por dez anos, tive a oportunidade de frequentar cursos especializados em diversos estados do Brasil. As experiências com o Choro criaram oportunidades para obtenção de materiais didáticos e estreitaram relações com músicos e pessoas apaixonadas pelo Gênero. Os cursos propiciaram reflexões a respeito da necessidade em pesquisar o Choro no Brasil. Com efeito, havia o desejo de saber de onde surgiram e quais eram as sementes geradoras desse Gênero brasileiro que interessava a músicos de várias faixas etárias e estratos sociais distintos. Na prática musical desenvolvida por mim, havia músicos conscientes da importância da formação completa através de uma escola específica onde o foco fosse centrado no ensino do Choro. No ano de 2002 ao ingressar na Faculdade de Artes do Paraná - (FAP) em Licenciatura em Educação Artística – Habilitação Música, engajei na pesquisa da Música Popular Brasileira especificamente o gênero do Choro. Iniciando o movimento do Choro na faculdade; pesquisa de repertório, rodas de choro, desencadeando na formação de um grupo denominado inicialmente SISAL, mais tarde “O’Seis Q’Choram”. Esse projeto cultiva até hoje concertos didáticos se apresentando em espaços da cidade, monstrando a riqueza e beleza da música brasileira. Em 2003, iniciei a pesquisa sob a orientação da professora Maria Aparecida Fabri Zanatta, sobre Choro Curitibano na obra do maestro, professor, arranjador e compositor Waldir Teixeira. Em 2004, o gênero do Choro foi tão difundido no ambiente acadêmico despertando interesse de toda comunidade, no sentido de ter um curso voltado ao repertório de violão com o objetivo de aprender a acompanhar, solar melodias, escrever os ritmos (levadas) e se não bastasse conectar as informações com a historia da música popular brasileira. Diante da demanda elaborei um projeto de extensão para a Faculdade de Artes do Paraná no qual agregasse prática de violão versos história da música popular brasileira. O curso iniciou em 2005, “Oficina de Choro na FAP”, com uma procura excelente, inclusive de cantores e de outros instrumentistas, uma vez que era somente para violonistas. Acabou se tornando uma prática musical em conjunto. Funcionou na mesma instituição por seis anos consecutivos, formando mais de 300 alunos. Paralelamente a esses projetos, dei início a uma pesquisa no qual a primeira parte desse trabalho foi apresentado e publicado nos anais do Fórum da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical). A segunda parte etapa foi publicada no I seminário de Arte da FAP em 2004. Em 2011 recebi o título de Mestre em Musicologia Histórica pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná/UFPR sob a orientação inicial do Professor Doutor Alvaro Carlini, concluindo o trabalho com o Professor Doutor Edwin Pitre-Vasquez, com o trabalho “O Choro Curitibano”.